Quarta-feira, Setembro 09, 2009
Ainda não tinha visto esta cena deplorável. Agora, depois da saída da Manuela da TVi, dei de caras com esta pérola. Já tinha ouvido comentários, rumores, descrições mais ou menos fidedignas, mas afinal a cena foi muito pior do que eu pensava. Esta pseudo-jornalista é, verdadeiramente, uma vergonha para o jornalismo e para os valores que devem reger a profissão, tal como eu a entendo. Das duas uma: ou a TVi admitia que estava a vender às pessoas um talk show, onde a apresentadora pode ser arrogante, parcial, cínica e desagradável, e deixava de apresentar o programa como um telejornal, ou então tirava dali a mulher. Ainda bem que finalmente se decidiram pela segunda hipótese.
Ainda que possam ser discutíveis os motivos que levaram a administração da TVi a acabar com o Jornal Nacional de 6ª - pode estar em causa a liberdade de imprensa, que é um valor superior a tudo o resto -, eu aplaudo o fim daquele espaço dedicado à lavagem de roupa suja e à patetice irritante. Tenho dito.
Sexta-feira, Agosto 07, 2009
Terça-feira, Agosto 04, 2009
Somos um país pequeno. A prova disso é que não temos nada para contar. Ou pelo menos assim parece quando ligamos a televisão às 10h30 da manhã, só temos 4 canais para percorrer, e nenhum deles passa algo que nos prenda ao ecrã. Se calhar aqui devo falar por mim. Eu, pelo menos, interesso-me muito pouco por ver a Mónica Sintra a cantar em Torres Vedras à custa da RTP, porque eles agora decidiram correr Portugal com cantores "pimba" às costas, ou mesmo ver como se casavam as noivas nos anos 70, pela voz esganiçada e histérica dos apresentadores da TVi. Na SIC, não é melhor: uma série espanhola qualquer, estilo Floribella mas diferente, (MUITO MAL) dobrada em Português, que até faz dor de cabeça. Na 2, os desenhos animados, pois claro. Resumindo, nada que prenda ao sofá e me faça pensar que até temos uma Tv interessante. Vou ler o meu livro.
Sábado, Agosto 01, 2009
De férias
Estou de férias do mundo a que habituei a chamar "civilizado".
Estou de férias do trânsito, dos transportes públicos, do computador com net a toda a hora, da televisão por cabo, do telemóvel com a rede máxima, do cinema, dos centros comerciais, da praia a 15 minutos, das esplanadas dos cafés em plena Baixa de Lisboa. Estou de férias da sensação que posso ir a qualquer lado, a qualquer hora, e regressar às horas que me apetecer, ou até nem regressar.
Vim para o mundo de onde saí há algum tempo atrás. Não tenho 300 canais na televisão, não tenho net rápida por toda a casa, não tenho rede no telemóvel que chegue para falar decentemente, não tenho o cinema e o parque para passear a 5 minutos de casa. Nem tenho o som dos aviões a passar constantemente por cima da minha cabeça. Na verdade, hoje tenho a sensação que vim de férias para outro planeta: não há água em casa, está a chover (quando ontem estava um sol abrasador em Lisboa), tenho um cão surdo e cego em casa que não pára de me procurar e dar cabeçadas nas paredes, tenho duas gatas a dormir aos meus pés que falam para mim cada vez que percebem que estou a olhar para elas...
Aqui, onde estou de férias, sinto-me voltar atrás no tempo. E percebo que se calhar já não sou deste tempo onde tudo é tão calmo e tão simples, pacífico, verde e estrelado. Não há estrelas destas em Lisboa, e às tantas uma pessoa habitua-se a não as ver, a pensar que o céu afinal é escuro e feio. Mentira. Aqui o céu é verdadeiro. Lá não.
Estou de férias do trânsito, dos transportes públicos, do computador com net a toda a hora, da televisão por cabo, do telemóvel com a rede máxima, do cinema, dos centros comerciais, da praia a 15 minutos, das esplanadas dos cafés em plena Baixa de Lisboa. Estou de férias da sensação que posso ir a qualquer lado, a qualquer hora, e regressar às horas que me apetecer, ou até nem regressar.
Vim para o mundo de onde saí há algum tempo atrás. Não tenho 300 canais na televisão, não tenho net rápida por toda a casa, não tenho rede no telemóvel que chegue para falar decentemente, não tenho o cinema e o parque para passear a 5 minutos de casa. Nem tenho o som dos aviões a passar constantemente por cima da minha cabeça. Na verdade, hoje tenho a sensação que vim de férias para outro planeta: não há água em casa, está a chover (quando ontem estava um sol abrasador em Lisboa), tenho um cão surdo e cego em casa que não pára de me procurar e dar cabeçadas nas paredes, tenho duas gatas a dormir aos meus pés que falam para mim cada vez que percebem que estou a olhar para elas...
Aqui, onde estou de férias, sinto-me voltar atrás no tempo. E percebo que se calhar já não sou deste tempo onde tudo é tão calmo e tão simples, pacífico, verde e estrelado. Não há estrelas destas em Lisboa, e às tantas uma pessoa habitua-se a não as ver, a pensar que o céu afinal é escuro e feio. Mentira. Aqui o céu é verdadeiro. Lá não.
Domingo, Junho 28, 2009
Did we really care about him?
Será que alguma vez nos importámos realmente com ele? Tentámos perceber as suas atitudes, as suas músicas, as suas excentricidades, a sua imagem? Se calhar, se tivessemos tentado perceber tudo isso, o Michael ainda estaria vivo hoje. Ou então não, não sabemos. Não interessa. Quem tem o talento que ele tinha, nunca morre.
Bailarino, cantor, actor. Não sei o que gosto mais de o ver ser...Acho que ele foi fabuloso nas três artes. Polivalente, como um verdadeiro artista. Inteiro no que fazia.
(Hoje passei a maior parte do dia a ouvir as músicas dele, a descobrir algumas que não conhecia, e a rever videoclips que me deixaram ainda com mais pena pela sua morte. Ele foi grande.)
Sábado, Junho 27, 2009
Rei da Pop
Quando era mais nova e morava com os meus pais, havia uma parabólica lá em casa. Um prato enorme e branco estrategicamente colocado no telhado, virado para o espaço à procura de apanhar os canais que fosse possível. E apanhava muitos. Só não eram aqueles que eu queria ver, mas apanhava muitos. Um deles fazia as delícias das minhas tardes sozinha em casa. Passava música a toda a hora, música "antiga", que tinha marcado talvez a geração da minha irmã ou dos meus tios mais novos. Músicas de lendas como Michael Jackson, Prince, e outros mais "excêntricos", eram a banda sonora das minhas tardes, enquanto dançava à frente da televisão ou simplesmente me estendia no sofá a matar o tempo.
Por isso, a notícia da morte do Rei da Pop, a quem eu seguia os passos e de quem admirava os videoclips, os movimentos, as interpretações, caiu-me mal. Tive mesmo pena, porque ele fazia parte das minhas memórias mais queridas, e por tudo aquilo que ele representou, principalmente na música, onde estava muito à frente do seu tempo.
Se calhar, ele tinha razão quando escreveu "Man in the Mirror", em 1988. Às vezes o mundo à nossa volta só muda se começarmos as mudanças em nós. E acho que ele passou a vida a tentar mudar-se, pelo menos por fora, para mudar o mundo. Em vão?
"I'm starting with the man in the mirror / I'm asking him to change his ways / And no message could have been any clearer / If you wanna make the world a better place / Take a look at yourself, and then make a change."
Rest in peace, finally. Where there is no need to change anymore, because there is already a good place.
Segunda-feira, Junho 08, 2009
País das maravilhas
Estocolmo, na Suécia, vai ser a primeira Capital Verde Europeia em 2010.
Vaxjo, uma cidade no Sul da Suécia, é a cidade mais verde na Europa. Lá, os banhos são aquecidos a biogás, feito a partir de resíduos orgânicos, que as entidades municipais recolhem junto dos habitantes.
O governo sueco dá apoios financeiros (quase mil euros) a quem comprar carros ecológicos e quem os compra estaciona de graça em quase toda a Suécia.
Na Suécia, há um imposto de carbono, que os contribuintes pagam cada vez que enchem o depósito dos automóveis - à custa desta taxa, as emissões de dióxido de carbono diminuiram 20 por cento desde 1991.
Na Suécia, os governos locais são mais ricos do que o governo central, porque cerca de 80 por cento das receitas dos impostos têm como destino os cofres dos municípios. Aqueles que realmente precisam do dinheiro para implantar as políticas necessárias à escala local.
Pensar global e agir localmente.
Quando for grande, quero ir morar pra Suécia. Quero lá saber que eles passem uma parte do ano a bater o dente...
Vaxjo, uma cidade no Sul da Suécia, é a cidade mais verde na Europa. Lá, os banhos são aquecidos a biogás, feito a partir de resíduos orgânicos, que as entidades municipais recolhem junto dos habitantes.
O governo sueco dá apoios financeiros (quase mil euros) a quem comprar carros ecológicos e quem os compra estaciona de graça em quase toda a Suécia.
Na Suécia, há um imposto de carbono, que os contribuintes pagam cada vez que enchem o depósito dos automóveis - à custa desta taxa, as emissões de dióxido de carbono diminuiram 20 por cento desde 1991.
Na Suécia, os governos locais são mais ricos do que o governo central, porque cerca de 80 por cento das receitas dos impostos têm como destino os cofres dos municípios. Aqueles que realmente precisam do dinheiro para implantar as políticas necessárias à escala local.
Pensar global e agir localmente.
Quando for grande, quero ir morar pra Suécia. Quero lá saber que eles passem uma parte do ano a bater o dente...
Quinta-feira, Junho 04, 2009
.
Tenho sonhado com ele.
Nos dias em que tudo corre mal, em que os nervos andam à flor da pele e me sinto fora de mim. Nesses dias, nessas noites, sonho com ele. É tão real que parece que sinto o cheiro dele, é tão real que acordo a chorar, é tão real que podia ser verdade. Aconteceu uma vez e eu achei normal, mas quando voltou a acontecer comprovei a teoria. Ele aparece nos meus sonhos apenas quando tenho aquela vontade louca de desaparecer. Se calhar é para me dizer que vale a pena ficar por cá...que os problemas vêm e vão. Como nós.
Nos meus sonhos, ele está vivo, afinal. Morreu, sim, mas é como se ressuscitasse, por milagre, passados todos estes meses. Esteve não sei muito bem onde a fazer não sei muito bem o quê, mas está vivo, e isso é só o que importa.
Nesses sonhos, volto a ouvi-lo chamar-me "nha nina" ou "mô amor", como fazia sempre que me queria ao pé dele para dizer os disparates do costume, ou para me pedir o que quer que fosse. Pode parecer estranho, mas essas são mesmo as expressões que mais sinto falta de ouvir da boca dele. É uma coisa tão pequena a que eu não dava valor nenhum, até achava lamechas e infantil, mas hoje dava tudo para que me voltassem a chamar assim com aquela ternura.
E isto agora pode parecer estúpido porque...sim, muitas vezes desejei que ele morresse. Admito isso porque, enfim, é a verdade. Estava a tornar-se um fardo demasiado pesado, não tanto para mim, mas para eles. E por vezes fui cruel, acho eu. Fomos todos um pouco. E ele também foi. Por isso considero que estamos todos perdoados.
Quando vou ao cemitério e deixo flores na campa dele (roxas, para ele saber que fui eu), não sinto nada. Ou sinto muito pouco. Acho que até sinto mais quando visito as campas de outras pessoas conhecidas, amigas ou vizinhas, que entretanto morreram e me deixaram saudades. Se calhar é porque não o sinto ali. Para mim, ele não está ali. Está onde? Não sei dizer.
Se fecho os olhos e quero chorar (chorar alivia), penso nele na cama do hospital na última noite que o vi e que ele não me viu. Quer dizer, os médicos disseram que ele via e ouvia, mas não me parece verdade. Os olhos dele pareciam os dos bonecos com que brincava na minha infância. Sabem aqueles olhos parados, vidrados, de bonecos de peluche? Eram assim... E o corpo dele respirava com dificuldade, e eu só queria vir embora porque tinha medo que ele morresse à minha frente. Acho que não iria aguentar.
Queria muito saber se ele me ouviu.
Queria muito ter-me despedido dele em condições. Mas são tão raras as vezes em que isso acontece, não é?
Desculpem, isto começa a tornar-se o meu consultório. Prometo ser mais feliz num próximo post.
Nos dias em que tudo corre mal, em que os nervos andam à flor da pele e me sinto fora de mim. Nesses dias, nessas noites, sonho com ele. É tão real que parece que sinto o cheiro dele, é tão real que acordo a chorar, é tão real que podia ser verdade. Aconteceu uma vez e eu achei normal, mas quando voltou a acontecer comprovei a teoria. Ele aparece nos meus sonhos apenas quando tenho aquela vontade louca de desaparecer. Se calhar é para me dizer que vale a pena ficar por cá...que os problemas vêm e vão. Como nós.
Nos meus sonhos, ele está vivo, afinal. Morreu, sim, mas é como se ressuscitasse, por milagre, passados todos estes meses. Esteve não sei muito bem onde a fazer não sei muito bem o quê, mas está vivo, e isso é só o que importa.
Nesses sonhos, volto a ouvi-lo chamar-me "nha nina" ou "mô amor", como fazia sempre que me queria ao pé dele para dizer os disparates do costume, ou para me pedir o que quer que fosse. Pode parecer estranho, mas essas são mesmo as expressões que mais sinto falta de ouvir da boca dele. É uma coisa tão pequena a que eu não dava valor nenhum, até achava lamechas e infantil, mas hoje dava tudo para que me voltassem a chamar assim com aquela ternura.
E isto agora pode parecer estúpido porque...sim, muitas vezes desejei que ele morresse. Admito isso porque, enfim, é a verdade. Estava a tornar-se um fardo demasiado pesado, não tanto para mim, mas para eles. E por vezes fui cruel, acho eu. Fomos todos um pouco. E ele também foi. Por isso considero que estamos todos perdoados.
Quando vou ao cemitério e deixo flores na campa dele (roxas, para ele saber que fui eu), não sinto nada. Ou sinto muito pouco. Acho que até sinto mais quando visito as campas de outras pessoas conhecidas, amigas ou vizinhas, que entretanto morreram e me deixaram saudades. Se calhar é porque não o sinto ali. Para mim, ele não está ali. Está onde? Não sei dizer.
Se fecho os olhos e quero chorar (chorar alivia), penso nele na cama do hospital na última noite que o vi e que ele não me viu. Quer dizer, os médicos disseram que ele via e ouvia, mas não me parece verdade. Os olhos dele pareciam os dos bonecos com que brincava na minha infância. Sabem aqueles olhos parados, vidrados, de bonecos de peluche? Eram assim... E o corpo dele respirava com dificuldade, e eu só queria vir embora porque tinha medo que ele morresse à minha frente. Acho que não iria aguentar.
Queria muito saber se ele me ouviu.
Queria muito ter-me despedido dele em condições. Mas são tão raras as vezes em que isso acontece, não é?
Desculpem, isto começa a tornar-se o meu consultório. Prometo ser mais feliz num próximo post.
Segunda-feira, Maio 11, 2009
Tenho em mim demasiadas interrogações
Demasiadas perguntas sem resposta
Muitas dúvidas e
Acima de tudo
Muitas vontades.
Não sei por onde começar...
Demasiadas perguntas sem resposta
Muitas dúvidas e
Acima de tudo
Muitas vontades.
Não sei por onde começar...
Inutilidades
Sinto-me cada vez mais inútil. À medida que o tempo passa, à medida que os dias correm, sinto cada vez mais que nada do que faço importa. Levanto-me todos os dias à mesma hora, faço o percurso de sempre para o sítio de sempre, para me sentar na secretária e abrir o computador, começar a mandar mails, qual autómato programado para uma lenga-lenga que é sempre tão igual...
Mails, telefonemas, questões, respostas, pesquisas...nada disto faz a diferença. O que escrevo interessa a poucos, e chega a quase nenhuns.
Acaba o dia, fecho o computador, apanho o metro e faço o caminho de sempre, para o sítio de há uns meses. Chegar a casa, comer, dormir, levantar no dia seguinte à mesma hora. Sempre com a sensação de que sou um robot, mas um robot inútil, a quem pagam para escrever coisas inúteis. Inúteis porque não fazem a diferença.
Preciso de mais. Preciso de sentir que sou importante para alguém, que mudei o dia de alguém com quem me cruzei, que ajudei alguém a ser mais feliz, mais atento ao mundo, mais informado e portanto mais livre.
Será que consigo fazer isso aqui??
Não me parece....
Mails, telefonemas, questões, respostas, pesquisas...nada disto faz a diferença. O que escrevo interessa a poucos, e chega a quase nenhuns.
Acaba o dia, fecho o computador, apanho o metro e faço o caminho de sempre, para o sítio de há uns meses. Chegar a casa, comer, dormir, levantar no dia seguinte à mesma hora. Sempre com a sensação de que sou um robot, mas um robot inútil, a quem pagam para escrever coisas inúteis. Inúteis porque não fazem a diferença.
Preciso de mais. Preciso de sentir que sou importante para alguém, que mudei o dia de alguém com quem me cruzei, que ajudei alguém a ser mais feliz, mais atento ao mundo, mais informado e portanto mais livre.
Será que consigo fazer isso aqui??
Não me parece....
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