Eu sei que as tulipas
são os olhos de todos os aviões perdidos.
Eu sei que as cidades
são os esqueletos das aves de rapina.
Eu sei que os candeeiros ardendo de noite
são os pulmões dos peixes voadores.
Eu sei que o mistério
é uma dentadura abandonada.
Eu sei que a loucura
é um braço solitário sorrindo eternamente.
Eu sei que os meus olhos
são as tuas pernas frementes.
Eu sei que os teus cabelos
são o meu acendedor de pirilampos.
Eu sei que a tua boca
é o meu uivo solar.
Eu sei que o teu peito e o teu sexo
são a minha água profundamente azul,
onde se encontram todos os fantasmas
já perdidos há séculos.
Mário Henrique Leiria
Nice...
Mário Henrique Leiria
Nice...
1 comentário:
O poema é expressivo e profundamente surrealista.
Espero ver, em breve, um poema da tua autoria.
Já que estamos a falar de cabalística/esoterismo, despeço-me segundo o ritual de saudação rosacruciana: Valete, fratres (É com esta saudação que termina o livro "Mensagem", de Fernando Pessoa.
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