No início, houve um dia em que chorei. Ali, num sítio onde nada era familiar. Onde as caras eram todas desconhecidas, mesmo as três ou quatro que conheço há anos... Ali, onde me senti sozinha, sem chão, sem tecto. É verdade. Sem nada para fazer, onde pareciam ignorar-me porque, no fundo, estava ali a mais. Não era lá precisa.
Nesse dia, chorei desalmadamente.
No fim, sei que vai haver um dia em que vou chorar de novo. Ali, no sítio que me acolhe todos os dias com um sorriso, desde a recepção até à mesa do computador livre. Se houver. Às vezes não há. Mas como em tudo, se não há num sítio, temos de procurar em outro. O importante é não deixar que as coisas nos vençam pelo cansaço.
As caras já são conhecidas. As piadas, os tiques, os toques de telemóvel. Dos revisores aos paginadores, os fotógrafos, os chefes de redacção, os editores. O chefe, esse, não conta muito. Conheço melhor as senhoras do bar. O bar... Os lanches de uma hora.
Bolas, sou mesmo saudosista. Pareço uma tola, já a falar como se isto fosse acabar amanhã. Mania de sofrer por antecipação.
Gosto de cá estar. :)
1 comentário:
Marisa, o tempo devora-nos qual Cronos que devorava os seus filhos ao nascer. Se sofres antecipadamente por a saudade te invadir, ante tempore, a alma, é porque realmente gostas da profissão que exerces. Certamente haverá um lugar à tua espera numa qualquer redacção algures em Portugal... até em Oliveira do Hospital. Por isso, enquanto há vida há esperança. Nada de estados melancólicos. Parte em busca da tua felicidade...
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