sábado, maio 03, 2008

[2 Maio 2008]

Viajo sozinha, tenho a estrada só para mim. Curvas e rectas vazias, sem destino traçado. Percorro o caminho que me leva ao lugar de sempre, a lugar nenhum. As lágrimas que choro são de mágoa, de raiva e impotência. É inútil. O caminho que ficou para trás é irrepetível, tenho apenas ordem para avançar. O céu azul escurece à medida que os ponteiros do relógio rodam na circunferência da minha vida. E tudo fica mais negro no horizonte. No rádio, a música baixa é banda sonora de um desatino. Um lamento. Uma constatação do que está errado aqui. A solidão, o silêncio e a minha cara molhada de água com sal.

Passas por mim, em pensamento. Fazes aquela cara malandra e eu escondo o sorriso, para chorar outra vez.
Deixa-me. Apetece-me afogar o mundo em que toco com mãos de bruxa má. Maçã envenenada que eu própria comi. Sempre tive dificuldade em vomitar num pranto sincero o que realmente me faz mal. O quê? Não percebes, nunca percebes nada.

Continuo na estrada sinuosa que me leva para longe de tudo o que quero estar perto. Faço o que não quero porque sim. Teimosia. Tristeza anunciada na decisão difícil e lógica. Tenho de ir esconder-me de tudo o que tu me escondes, sem querer. Faço a curva apertada, avisto um porto de abrigo. Não quero entrar, quero abrigar-me na insegurança que é só minha, onde não tenho de esconder as lágrimas, onde o espelho me mostra a maquilhagem desfeita, os olhos vermelhos inchados, vazios sem a luz de sempre.
Mas tenho de entrar e depois tudo fica mais leve. Que a tristeza passa onde não queremos deixá-la entrar. Dou por mim a sorrir.
E de repente ali há estrelas, há luar, há um céu mais claro e brilhante. Não há tudo, mas é melhor.
Boa noite.

PS: Quando voltares a passar por mim estarei de cara lavada, sem mágoa, sem o vazio triste no olhar. Porque na minha alma não há fantasmas que durem muito. Só tenho lugar para ti, em carne e osso e pele e cheiro bom, quente, doce.

Gostas de mim?...

Sem comentários: