quarta-feira, março 19, 2008

A gata e o Rato... ;)

Tempo livre... Ora o que é que se faz com tempo livre?? Passeia-se, claro. Sai-se de casa sem destino, sem rumo traçado, e acaba-se num lugar qualquer...Mais precisamente num lugar com nome de bicho com bigodes e rabo, daqueles que a minha Tareca e a minha Sisi adoooooram... Sim, no Rato.
Pois.
Até às cinco horas de hoje eu devia ser uma das... hum... x pessoas que nunca tinham posto nos pés no Rato. Que nunca tinham visto o Rato. Que nunca tinham respirado o ar do do Rato... No big deal. Não tem nada de mais. É um largo com semáforos e passadeiras e carros pra lá e pra cá e uma bonita Igreja...De resto, não me pareceu nada de extraordinário.

O extraordinário foi sair do metro e levar com uma manifestação em cima. Assim, do nada, um monte de "arruaceiros" a gritar a plenos pulmões que "não se vendem por 400 euros". Perdoem-me a expressão "arruaceiros", mas é que aquilo não deu muito bom aspecto. Já explico porquê.
Era uma manifestação dos trabalhadores dos CTT que, evergando bandeiras e faixas e t-shirts contestatórias, se queixavam das políticas da empresa. Até aqui, tudo bem. Ora, ia então um magote de gente descendo a Rua de S. Bento, na direcção da Assembleia da República (digníssimo, imponente, intocável edifício que eu nunca tinha visto ao vivo - shame on me...) e eu lá fui atrás, numa de passeio, de "vamos lá ver no que isto vai dar".
A passo lento, como o meu, iam também alguns trabalhadores. Das duas três: ou saíram mais tarde e não conseguiram acompanhar o passo dos colegas, ou aquilo foi programado de forma a que parecessem muitos e que ainda lá vinham mais, ou então (a hipótese mais plausível) os ditos trabalhadores do passo lento iam aproveitando para bebicar aqui e ali uma cervejola ou um copinho de vinho, para ajudar no caminho. Digo isto porque passei por alguns que tresandavam a alcóol e não me pareceram em boas condições. Sim, vamos todos à manif = vamos todos prós copos!! Boa.
Bem, mas falemos da paisagem... A Rua de S. Bento é muito sui generis. Para quem não conhece, aquela deve ser a rua onde se encontra o maior número de lojas de antiguidades e velharias por metro quadrado. Artigos de decoração, sim senhora, mas tudo do século passado ou mais. Mas nem tudo são relíquias. Em S. Bento encontramos também, por exemplo, um salão de massagens (onde também fazem limpeza aos ouvidos, meus senhores!). Ou até, vejam bem, a princesa do Jet7 (a rainha é a Lili) - Cinha Jardim, no seu magnífico Mercedes.

"Fascistas! Fascistas! Fascistas!" deixou de se ouvir entretanto. Porém, ainda houve quem chegasse (mais) atrasado (do que alguns manifestantes) e corresse para os ver passar. "Sabe se houve aqui uma manifestação?" - perguntou-me um velhinho todo aperaltado, em jeito de corrida. "Sim, é ali em baixo à frente da Assembleia da República" - respondi prontamente. Coitado do homem, já chegou atrasado ao espectáculo dos homens bêbedos sedentos de justiça (entre eles, o senhor Trotskã)...

9 comentários:

Anónimo disse...

É pena que estejas a pensar seguir jornalismo. Sabes, reduzir uma manifestação de trabalhadores que lutam pelo seu futuro (que cada vez parece mais negro) a "espectáculo dos homens bêbedos" é muito rude.
Talvez um dia quando vires os teus sonhos começarem a desabar e não poderes fazer nada contra isso (hold that thought), talvez nesse dia, quem sabe, já não sejam permitido manifestações, e ai nessa altura vais te lembrar da barbaridade que escreveste.
É que sabes, os nossos governantes cada vez teiem menos tolerância para quem pensa diferente deles.
Tenta ver as coisas de diferentes ângulos, e não reduzas tudo à tua própria visão do mundo.
Um beijo.

MS disse...

Caro anónimo,

Apenas reduzi tudo ao que vi. Não fiz deduções com base em preconceitos ou no que me contaram. E o que vi não foi apenas trabalhadores a lutar pelo seu futuro (talvez estivessem lá no meio, aliás, espero que tenham estado), mas sim homens que estavam ali pelo passeio e pelas tabernas (sim, eles tresandavam a alcóol!), muito mais interessados em mandar piropos às miúdas que encontravam (já agora, eu fui uma delas) do que em gritar os seus pensamentos e fazer valer os seus direitos.
E sim, eu sei que os nossos governantes são cada vez menos tolerantes, mas não me referi a isso, nem pouco mais ou menos. Não me referi à razão de ser da manifestação (pessoalmente, apoio qualquer manifestação de luta por direitos adquiridos e/ou por adquirir), mas apenas à forma como alguns manifestantes encaram o evento.
Não considero ter escrito alguma barbaridade. Apenas exerci o meu direito de expressão e expus o que senti no local. Afinal, se os meus sonhos não se concretizarem e "desabarem", como refere, ainda devo ter o direito de dizer o que sinto e o que penso. Se não for como jornalista, que seja como cidadã.
Um beijo

MS disse...

Ah, e já agora... Espero que o caro anónimo também não esteja a pensar seguir jornalismo ou alguma profissão ligada à área..É porque não se escrever "teiem", mas sim "têm".
Hold that thought...

Anónimo disse...

Obrigado pela dica do "têm", no Brasil é "teiem", vou ter mais cuidado.
Já agora deves escrever "álcool" e não "alcóol". "envergando" e não "evergando". "bebericar" e não "bebicar". "contestatárias" e não "contestatórias".

MS disse...

Tem razão, caro anónimo.
Ainda que alguns erros que menciona se devam a mero lapso.
Já agora, o senhor é do Brasil? Está muito atento aos problemas dos trabalhadores dos CTT de Portugal. Muito bem, gostei de ver.
Pedia-lhe só que não transformasse o meu post numa coisa que ele, de todo, não é. Não pretendi criticar a manifestação, apenas reflectir sobre atitudes que me pareceram incorrectas e pouco coincidentes com o propósito da luta por um direito.
E por mim a conversa acabou aqui. Sempre me ensinaram a não falar com estranhos/anónimos.

MS disse...

Peço desculpa, eu disse que a conversa tinha acabado, mas... em que ponto do Brasil é que se escreve "teiem"??? Sabe dizer-me, caro Anónimo? Afinal já percebi que não deve ser brasileiro...foi só para distrair.

Anónimo disse...

um blog é exactamente isso, um espaço livre e aberto a opiniões ou a qq tipo de desabafos...
eu sinceramente nem iria responder, a um post desse...
mas como o blog nao é meu
agora as lutas fazem sentido quando informadas e coerentes... não se perseguem sonhos com manifs incoerentes, sem consciencia do que se faz ou como se faz... ou mesmo porque se luta...

a revolução não deve ser apenas irreverência infundada ou feita de forma descabida mas uma luta fundada, com sentido e objectivos, sem perder a razão


de qq forma uma opinião é uma opinião e como ainda no mundo ocidental temos liberdade de expressão, podemos também travar a nossa própria luta através da indignação e do nosso ponto de vista sobre o ridiculo de certas situações... como tal só é ridiculo aos olhos de quem o acha...

aos outros, podem aceitar ou não, contudo nunca terão sequer a moralidade para chamar barbaridade a qualquer opinião de um qualquer cidadão do mundo, no máximo podem argumentar contra ou a favor (com argumentos fundamentados)...

seja de que país, religião, raça ou mesmo outro planeta

é esse pelo menos o bom senso que prezamos (pelos menos uma boa parte, espero) em Portugal...

com erros ou sem erros, negativa ou positivamente, opina-se num plano pessoal, sem egocentrismos

ponto final...
nao mando abraços e mto menos beijos a quem não conheço, incluindo anonimos ;)

perdoem-me la

O Libertino

Anónimo disse...

Ok. Olha Marisa esquece o meu primeiro post, foi só um exemplo.

só queria que percebesses que as palavras têm bastante poder, e que podem facilmente magoar.
Talvez tenhas escrito este texto sem pensar que irias magoar alguém, ou por vingança pelo piropo que te mandaram. mas magoastes. sabes o meu pai trabalha nos CTT, e tem andado muito (demasiado) preocupado com os problemas que originaram essa manif.

Podes estar descansada que eu não vou seguir jornalismo, prefiro psicologia.

Tens razão "teiem" não existe, mas as vezes é tão difícil assumir os nossos próprios erros, não é ?

MS disse...

Obrigada por te identificares, Sérgio, prefiro assim. E quanto à dificuldade em assumir os erros, toda a gente tem alguma, uns mais do que outros. Mas como acho que não errei (tirando alguns erros ortográficos que tu, muito bem, assinalaste), não tenho esse problema.
Solidarizar-me com o teu pai não vai valer de muito, afinal não tenho poder para mudar a política da empresa e não posso ajudar. Enquanto cidadã, posso apenas respeitar o direito à indignação e à manifestação, a que ontem assisti. Só condeno a descompustura e a falta de respeito e educação de alguns manifestantes, quando estão ali só porque encaram a greve como um motivo para faltar ao trabalho. Se o teu pai não era um dos senhores que ontem "tresandavam" a álcool no meio da manifestação, nem um dos que me mandou bocas menos próprias, então não tens porque te sentir magoado.

Boa sorte com a psicologia.
Volta sempre.