Será que existe alguém para nos salvar? Um Messias?
Mas... Será que precisamos mesmo de ser salvos? Ou precisamos apenas de deixar que a vida nos leve nas suas ondas, umas maiores, outras mais pequenas...? Eu não tenho medo do mar. Só tenho medo das ondas, de que elas me arrastem para sítios longínquos, onde não quero estar. Mas queria ir na crista das ondas, onde bate aquele vento ardente que sopra o coração.
"Pedes-me um tempo pra balanço de vida
Mas eu sou de letras, não me sei dividir
Para mim um balanço é mesmo balançar
Balançar até dar balanço e sair.
Pedes-me um sonho
Pra fazer de chão
Mas eu desses não tenho, só dos de voar.
E prendes-me a dizer que me estás a salvar.
De quê? De viver o perigo.
De quê? De rasgar o peito. Com o quê?
De morrer. Mas de que paixão?
De quê? Se o que mata mais é não ver
O que a noite esconde
E não ter nem sentir o vento ardente
A soprar o coração.
Pedes o mundo dentro das mãos fechadas
E o que cabe é pouco
Mas é tudo o que tens.
Esqueces que às vezes, quando falha o chão
O salto é sem rede e tens de abrir as mãos.
Pedes-me um sonho pra juntar os pedaços
Mas nem tudo o que parte se volta a colar.
E agarras a minha mão com a tua mão
E prendes-me e dizes-me para te salvar.
De quê? De viver o perigo.
De quê? De rasgar o peito. Com o quê?
De morrer. Mas de que paixão?
De quê? Se o que mata mais é não ver
O que a noite esconde
E não ter nem sentir o vento ardente
A soprar o coração."
Se calhar devia tentar criar os meus próprios poemas, como, aliás, já fiz muitas vezes. Mas há pérolas que acabam por nos pertencer a todos, porque falam de todos nós, de uma forma ou de outra. É essa a magia.
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