sábado, julho 05, 2008

A Cabra, sempre

«Esta será, talvez, a última vez do "Segunda vez..."
Com isto, acaba-se um ciclo, começa-se um outro. Melhor, pior, não sei. Espero que consiga vivê-lo tão ou mais intensamente como este que hoje acaba. Espero encontrar no caminho pessoas tão generosas, tão carinhosas, tão divertidas, tão meigas como as que me acompanharam até aqui, porque só assim serei feliz. Mas conto, mais ainda, com a amizade, a compreensão, o amor, o carinho, o ombro dos amigos de que agora provavelmente me irei separar, ainda que só fisicamente.
Os amigos não se perdem, apenas trilham caminhos diferentes, porque é esse o curso natural das coisas. Os que agora partem, estarão sempre no coração, e sei que é recíproco.
Vou sentir falta de tudo...
Pronto, não choro mais.
Acabou-se isto, mas vem aí mais.
E para A CABRA não vai nada nada nada????

TUDO!!!!!!!!!!!!!!!

Beijinhos para TODOS...»

Escrevi isto há pouco mais de um ano.
A vida dá tanta volta. . .
O Segunda Vez não acabou,
encontrei no caminho pessoas fantásticas com as quais cresci e aprendi muito,
continuo a contar com o apoio, o carinho e a amizade dos que viveram comigo os melhores anos da minha vida até então,
continuo a chorar demais.
E para A Cabra continua a ir tudo, porque A Cabra também nos dá tudo o que tem. Deixa-nos trabalhar a sério, ser nós próprios e dar largas à imaginação. Onde é que podemos voltar a fazer isso?...

Saudades do que fui entre aquelas paredes. Abrir a porta verde à sexta feira de manhã, a sala vazia, desarrumada, abrir as janelas para entrar ar. Colar-me ao telefone a fazer os últimos telefonemas, repetir os números que digitei a semana toda um monte de vezes... Um monte de vezes, ninguém atende. Mas alguma coisa se há-de arranjar...
Noitadas, massagens, músicas parvas e sorrisos e gargalhadas sinceras, muitas teclas a bater, muito sono... Às vezes, vontade de desaparecer, mas outras...vontade de não sair dali nunca.
Sinto que o que fui ficou ali gravado, não poderia ficar melhor numa fotografia ou num filme. Ficou gravado naquelas cadeiras, naquelas mesas, naquelas paredes, na minha memória. Não dá para repetir. Tenho tantas saudades...

Lembro-me que escrevi aquelas linhas a chorar desalmadamente, na mesa junto às janelas, enquanto todos vocês estavam na sala pequena a acabar com a garrafa de champanhe e com outras garrafas de que já não me lembro. Lembro-me que me isolei ali decidida a acabar com isto e começar algo novo. E que depois alguém veio e percebeu as minhas lágrimas e me consolou. Como sempre fizeram comigo ali. Sempre me consolaram quando precisei, sempre me fizeram rir quando precisei, sempre me criticaram e me elogiaram quando precisei. Foi a melhor escola que podia ter tido.

Estou a chorar outra vez...

3 comentários:

Helga disse...

opá... deve ter sido mesmo giro. já percebi que adoraste e invejo-te por teres tido uma experiência dessas... olha, eu nunca tive nada disso. congratula-te por teres tido essa oportunidade... talvez possas fazer visitas em breve :) beijo

Fátima disse...

oh... eu vejo o brilho no olhar que tens quando falas na Cabra... sinto um pouco esse ambiente na Take, porque também somos todos independentes e lutamos por uma coisa diferente, sem uma empresa a puxar por nós, por dinheiro...sabe bem, e era assim que devíamos trabalhar...num meio de pessoas amigas e que gostam do que fazem...mas já me afeiçoei a ti mesmo que não goste do sitio onde estamos. =)

Ângela Monteiro disse...

... a tua descrição fez-me lembrar o meu ultimo fecho... acho que partilhamos os mesmo cantinho onde chorámos as nossas lágrimas, as ultimas dentro daquela casa que é nossa para sempre...