terça-feira, setembro 30, 2008

Falava com um representante do sindicato dos enfermeiros que me dava, como justificação para a greve de dois dias, o facto de haver cerca de 5 mil enfermeiros com vínculo precário, quando os enfermeiros trabalham nos hospitais a título permanente e são indispensáveis para o funcionamento regular dos serviços. Exigem que lhes sejam pagas as horas que trabalham a mais. Exigem ser tratados/pagos como licenciados que são.

E agora eu pergunto:

Se os jornalistas tivessem um sindicato mais activo, ou se a classe tivesse uma maior consciência colectiva e se unisse mais para lutar pelos direitos das centenas de jornalistas que todos os anos vão engrossar as redacções enquanto estagiários/escravos/explorados, será que também assistiríamos a uma greve deste género?

Se os jornais não saíssem durante uma semana, fazia diferença a alguém, para além dos empresários que dominam os órgãos de comunicação?

Se fizéssemos todos greve, se não calássemos esta exploração estúpida que vivemos - ou que pelo menos a maior parte de nós vive - faria alguma diferença?

A resposta é: não.

Não, porque somos perfeitamente dispensáveis. Ninguém quer saber! As pessoas andam na rua ou no metro de gratuito na mão, porque é gratuito, e só o lêem porque sim. Quando não há, não lêem, e o dia é igual. Nada muda. Somos uma mera distracção, para ajudar a passar o tempo da viagem de uma estação à outra, ou para distrair nas horas mortas.

Quantos de nós não estão também com vínculo precário, sendo imprescindíveis para o funcionamento da regular da redacção onde estamos? Quantos de nós trabalhamos horas muito extra e não somos pagos por isso? Quantos de nós somos pagos como licenciados?

E quem é que se importa com isso???
Parece que nem nós...

2 comentários:

Fátima disse...

=( eu importo-me, mas se pensar nisso todos os dias, desespero...

também tenho saudades tuas...

JPC disse...

Se os jornais não saíssem durante uma semana, fazia diferença a alguém?

hmmm