terça-feira, fevereiro 12, 2008

Lua cheia

Um amor casual, inesperado. Nada fazia antever que, naquela tarde de Verão (lá está, no Verão, tudo pode acontecer...), um sorriso desinteressado, um episódio caricato, uns minutos de conversa pudessem fazer nascer um amor eterno. Eterno, imortal, honesto e mais forte que qualquer furacão.
Ainda existem esses amores. Romances de puxar à lágrima, com a tragicidade de uma comédia grega, mas...diferente. Diferente porque é tão autêntico que não se encaixa nas estórias inventadas ao acaso, de personagens e enredos imaginados no papel. Aquele amor acontece mesmo no coração de quem o lê, de quem partilha a felicidade e a angústia de quem ama mas não pode amar.
Quer dizer... pode amar, mas de uma forma transcendente, que acaba na renúncia à felicidade própria em prol da felicidade de outros. Nem todos são capazes de amar assim.

Um noite de lua cheia, à beira-mar. Uma fogueira, uma festa, cerveja, gargalhadas forçadas pelo álcool. Olhares trocados na inocência de um sentimento novo, para ambos. E outras noites houve, de luar cheio e quente, de chuva intensa. O amor enche o coração, aquece e traz intensidade à vida.
No fim, a vida resume-se a uma busca. Procuramos um sentido para o que acontece, um rumo para o futuro, uma explicação para o passado. E o tempo passa assim. E faz esquecer todas as coisas, menos as mais simples, as mais profundas, as mais singelas. As verdadeiras, as autênticas. Os sorrisos, os olhares, os primeiros toques, os primeiros beijos...
O tempo passa, mas há sempre coisas que ficam. O primeiro amor. O difícil é reconhecer o primeiro amor, sem enganos. Dar conta do que acontece no nosso corpo, na nossa mente, na maneira como sorrimos sem motivo, das noites em claro a pensar nas horas passadas...

No fim, se estivermos juntos ao luar, tudo o que vivemos ficará para sempre nas estrelas que brilham lá em cima...

Sem comentários: