É um verdadeiro fenómeno. Quem andou no fim-de-semana passado (feriado incluído) nas estradas portuguesas deu com certeza conta de um verdadeiro desporto de massas: a peregrinação. Ele eram mulheres, homens, crianças, idosos, com ou sem colete reflector, com ou sem cajado, com ou sem saco de merenda. Noventa e um anos depois, Fátima ainda põe multidões a andar por esse Portugal fora na direcção da Cova da Iria. Há quem faça o percurso por etapas e quem o faça de uma vez só, ignorando quer o sol abrasador (que neste fim-de-semana convidou a uma ida à praia) quer a chuva que ainda teima em visitar-nos ocasionalmente (segundo os metereologistas, o sol ainda não veio para ficar). Mas o que será que os move?...
A questão da motivação é e será sempre uma incógnita, a meu ver. Uns dizem que é a fé, outros que é o desespero de quem se vê em aflições. Há mesmo quem diga que vai pelo desporto e pelo convívio. Ora, ao preço que os ginásios estão, não me admira muito. Ainda assim, para quem não tem uma fé inabalável na Igreja e no milagre de Fátima (como eu, ex-catequista e católica baptizada e crismada), custa um pouco a entender porque é que pessoas com problemas de saúde (na maior parte da vezes) se metem ao caminho, percorrem a pé (algumas até descalças...) centenas ou mesmo milhares de quilómetros só para chegar a Fátima no dia 13 de Maio. Como é que mães levam pela mão crianças de quatro ou cinco anos e as sujeitam a um desgaste físico e psicológico desse tamanho? Já para não falar no perigo que é irem na estrada aos magotes (ou seja, não em fila indiana, como deveriam), lado a lado com carros e respectivos condutores que só por si já causam tantas desgraças, sem precisarem de mais obstáculos na via.
Por mais aflitas que estejam, não consigo perceber o que leva as pessoas a passar horrores como forma de pagamento por um "milagre" concedido. Se calhar é porque nunca estive verdadeiramente numa situação de desespero, dirão. Talvez. Talvez ainda venha a mudar de opinião à medida que a vida me for pregando partidas, mas não sei se ir a Fátima a pé resolverá as minhas angústias. Creio que não...
Até ao dia 13 de Maio ainda há muito para caminhar. Depende de onde se parte, mas quase sempre é de longe. Em grupo ou não, a caminhada deve ser sempre uma oportunidade para uma instrospecção, uma reflexão sobre as capacidades e os limites de cada um. Seja, então. Prefiro ver a peregrinação assim: como um exercício de reflexão e conhecimento do Eu com que temos de viver no dia-a-dia. Os caminhos nunca são só bons ou só maus. São caminhos, ponto.
A questão da motivação é e será sempre uma incógnita, a meu ver. Uns dizem que é a fé, outros que é o desespero de quem se vê em aflições. Há mesmo quem diga que vai pelo desporto e pelo convívio. Ora, ao preço que os ginásios estão, não me admira muito. Ainda assim, para quem não tem uma fé inabalável na Igreja e no milagre de Fátima (como eu, ex-catequista e católica baptizada e crismada), custa um pouco a entender porque é que pessoas com problemas de saúde (na maior parte da vezes) se metem ao caminho, percorrem a pé (algumas até descalças...) centenas ou mesmo milhares de quilómetros só para chegar a Fátima no dia 13 de Maio. Como é que mães levam pela mão crianças de quatro ou cinco anos e as sujeitam a um desgaste físico e psicológico desse tamanho? Já para não falar no perigo que é irem na estrada aos magotes (ou seja, não em fila indiana, como deveriam), lado a lado com carros e respectivos condutores que só por si já causam tantas desgraças, sem precisarem de mais obstáculos na via.
Por mais aflitas que estejam, não consigo perceber o que leva as pessoas a passar horrores como forma de pagamento por um "milagre" concedido. Se calhar é porque nunca estive verdadeiramente numa situação de desespero, dirão. Talvez. Talvez ainda venha a mudar de opinião à medida que a vida me for pregando partidas, mas não sei se ir a Fátima a pé resolverá as minhas angústias. Creio que não...
Até ao dia 13 de Maio ainda há muito para caminhar. Depende de onde se parte, mas quase sempre é de longe. Em grupo ou não, a caminhada deve ser sempre uma oportunidade para uma instrospecção, uma reflexão sobre as capacidades e os limites de cada um. Seja, então. Prefiro ver a peregrinação assim: como um exercício de reflexão e conhecimento do Eu com que temos de viver no dia-a-dia. Os caminhos nunca são só bons ou só maus. São caminhos, ponto.
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