6h15 da manhã. O telemóvel toca, é o despertador a fazer o seu trabalho...Mas quem é que o mandou?? Tipo, não, cala-te, não quero! Ainda não se vê a luz do dia, ainda não são horas, está toda a gente a dormir (depois venho à janela e vejo que afinal não é bem assim...). O telemóvel insiste. Bolas...
A luz da casa de banho cega. Qualquer luz cega. Quero o escuro, para mergulhar a minha vontade de dormir mais um pouco. Não é preguiça, não é moleza. É só falta de vontade de me vestir, conduzir dois quilómetros, bater à porta, pôr o dedo na máquina que regista as entradas e saídas e sentar-me mais uma vez numa cadeira rija (é que nem sequer é das almofadadas, é mesmo das rijas de plástico) durante 6 horas.
6 fucking horas! 6 horas a ler jornais, de uma ponta a outra. Diários, semanários, gratuitos ou não, regionais ou nacionais. Revistas mensais, bimensais, quinzenais. Generalistas, sobre moda, sobre saúde, sobre construção, sobre imobiliário, tudo e mais alguma coisa. 6 horas interrompidas apenas pela ida à casa de banho, uma passagem pela máquina do café, quinhentos e trinta e sete espirros e outros tantos lenços de papel porque sou alérgica ao ambiente que está rodeado e recheado de jornais por todos os cantos e estantes e mesas.
Meia dúzia de horas sem falar quase nada (a não ser perguntar qual o jornal que posso ler a seguir, qual o jornal que ainda não foi "clippado"), porque sou nova ali e ainda não tenho confiança com ninguém. Tenho fome. Tenho tanta fome durante a manhã...hoje saí com uma dor de estômago monumental. Nem o pequeno almoço nem o snack a meio da manhã. Eu tenho é fome de fazer o que gosto.
Merda, merda, mil vezes merda.
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