terça-feira, abril 08, 2008

O sétimo dia

À procura de um documento escondido numa pasta perdida, encontrei algo que me fez sorrir. Recordei. Chegada a casa de um dia cansativo e mais longo do que o habitual, sentei-me na cama e peguei no portátil, não para fazer o que devia (na altura, ainda o Seminário...), mas para escrever os sentimentos, as emoções, as aventuras e as experiências por que tinha passado. Decidida a repetir o gesto todos os dias, comecei. O diário de um só dia, o sétimo, para vocês. Atrasado, incompleto. Ingénuo, também.
Perdido no tempo mas gravado na (minha) memória (e) do meu computador.
Para vocês...

Estágio no Jornal de Notícias (Redacção Porto)

Dia VII – 11 de Setembro de 2007

Talvez pareça estranho o dia sete ser o primeiro dia deste diário. Mas a verdade é que ele é a razão de ser deste pequeno bloco de apontamentos. Estranho. Agora me apercebo do simbolismo do número sete... Este é, sem dúvida, um algarismo com um poder qualquer.

Hoje foi o dia mais atribulado de todo o meu estágio, até aqui. Trabalhei das nove da manhã (ok, cheguei à redacção às nove e meia, mas isso é só um pormenor) às dez e meia da noite. Paragem de duas horas para almoçar. Primeiro trabalho de campo a sério – antes disto, só um inquérito de rua. [“É preciso fazer aqui uma coisa chata, óptima para estagiárias. Fazes?”, pergunta o Nuno. “Claro”, responde aqui a caloira ingénua e faminta por trabalho. Foi no dia V. Foi um dia bom, também. Saí tarde da redacção... Tem sido rotina.]

Ora bem, então e como é que se prepara um artigo sobre o regresso às aulas, assim do pé para a mão? Telefonemas, mails, telefonemas para confirmar, aquele que não atende, o outro que não está. O costume. Nada a que não esteja habituada. “Bom dia, daqui fala Marisa Soares, do Jornal de Notícias” abre mais portas do que “O meu nome é Marisa Soares, estou a ligar do Jornal Universitário de Coimbra, A CABRA”. Abre. Mas, mesmo assim, há dificuldades que se mantêm. Afinal, não é assim tão diferente. Afinal, aquilo até serve para alguma coisa.

Não vale a pena falar dos sítios onde fui, das pessoas com quem falei, das parvoíces que pensei. Hoje vale a pena falar no taxista. O Sr. Barbosa. A minha primeira saída de táxi, de manhã: normal. A segunda saída de táxi, à tarde: o Sr. Barbosa. Nunca me senti tanto em perigo dentro de um carro. Nunca andei com um taxista louco como este. O homem é uma figura. O Porto encarnado (ou azulado) num senhor com os seus 60 e tal anos, brincalhão, completamente passado da cabeça a conduzir. Ele era passar vermelhos, passar a centímetros do carro estacionado ao pé do passeio, fazer curvas a abrir de maneira que quase fomos parar aos rails... “Sabe que eu já ando aqui desde 1989, menina”. “Paga-me um café se eu chegar ao JN às 18h45!” Pois... O homem estava bêbedo, garantidamente.

Para além disso, importa as maluquices da Maria Isabel (a nossa fotógrafa estagiária, de quem começo a gostar muito), a Ana que acabou a tarde com o pé descalço, a Isaura que chorou a rir com o Sr. Barbosa. Só peripécias.

Foi um dia cansativo, mas muito bom. Vai saber bem amanhã ver o nosso "bebé" no jornal. Com o meu nome, ainda que seja, eventualmente, em letras pequeninas. Seja.

Não há registo dos dias que antecedem o dia VII. Enfim, ficam na minha memória, pelo menos por alguns tempos. Breves, só um artigo assinado. Breves e mais breves. O habitual.

Mas prometo que, a partir de hoje, vou deixar um registo de todos os dias do estágio. Não quero esquecer isto nem quando for velhinha e já me falhar a memória. Estes podem ser alguns dos melhores meses da minha vida. Depois dos que passei em Coimbra. Esses... Ah, esses estão sempre em primeiro lugar.

Até amanhã.

Kiss.

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