Olho para os meus dedos e penso no que fui.
Comi pedaços de mim, canibal sem jeito...
Tortos, como torta é a estrada que percorro.
Nas palmas das mãos, linhas inacabadas, cortadas por rajadas de vento de leste.
Quente.
Aquece devagar.
Queima nos circuitos fechados do ar que respiro.
Maçãs do amor...ah ah ah...vermelhas de sangue, do sangue que trago em mim e que me faz ser prisioneira de um corpo. Uma embalagem às vezes vazia, no contentor da reciclagem natural.
Olho para os meus dedos e não me vejo. Outro eu entrou em mim e tomou conta do barco. O leme é pequeno demais para rumar a bom porto. Parece-me.
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