sexta-feira, junho 13, 2008

Parabéns pela Pessoa que foste e ainda és dentro de cada um que te lê.

    TABACARIA

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

(...)

Fernando Pessoa como Álvaro de Campos
15-01-1928

Hoje, no aniversário dos 120 anos do seu nascimento, não posso deixar de lembrar aquele que foi um dos maiores poetas do seu e de todos os tempos. A poesia de Fernando Pessoa acompanha-me, dá sentido a alguns pensamentos que correm pela minha mente tantas vezes. Pessoa faz-me sentir mais perto de mim.


Sextas-feiras 13. Deliciosas. Ao sol.
Bom feriado!

1 comentário:

Fátima disse...

este é um dos meus poemas preferidos dele =)