O único mistério do Universo é o mais e não o menos.
Percebemos demais as cousas — eis o erro, a dúvida.
O que existe transcende para mim o que julgo que existe.
A Realidade é apenas real e não pensada.
[Alberto Caeiro, o "outro" de Fernando Pessoa]
Penso demais. Reflicto demais. Complico demais. Sofro demais. Choro demais.
Se é que tudo isto pode ser feito em demasia...
Tudo é demasiado frágil. Vivemos como um rato numa despensa fechada, sem luz, onde o dono da casa colocou uma ratoeira, a um canto, ao lado de um pedaço de queijo bem saboroso. Cheiramos, gostamos, e como não vimos a ratoeira avançamos. Mesmo que tivessemos visto, iríamos. Somos pouco inteligentes, fazemos tudo para satisfazer os nossos desejos. E o nosso desejo é comer queijo, encher a barriga, para depois dormir à sombra da bananeira. Ou da ratoeira.
Porque às vezes ela está onde menos esperamos.
Porque a vida é assim. Prega-nos partidas e depois... às vezes não há nada a fazer.
Por isso, continuo a pensar demais. Ao contrário do Alberto Caeiro. Por isso é que nunca vou ser conhecida pelos meus pensamentos brilhantes. Porque penso demasiado neles.
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